As vantagens da crise no credito habitacao March 17th, 2008

    A subida das taxas de juro está a ganhar a guerra às cada vez mais agressivas campanhas dos bancos pelo crédito à habitação. A tendência de queda começou a ganhar balanço no ano passado e, de acordo com os dados da Direcção-Geral do Tesouro relativos ao primeiro trimestre de 2007 – que o DN hoje revela -, está definitivamente consolidada: até Março deste ano foram celebrados menos 12,1% de contratos em relação ao período homólogo.

    Enquanto o número de créditos à habitação desce, o valor médio de cada empréstimo sobe, o que indica que quem se endivida fá-lo em valores cada vez mais elevados e que aqueles que têm menos recursos estão já definitivamente arredados deste mercado.

    As notícias são más e as consequências mais vastas: a crise no crédito à habitação implica que a estagnação do mercado imobiliário se agudize ainda mais.

    Mas nem tudo é negativo. Esta pode ser também a oportunidade para Governo e agentes do sector da construção civil procurarem novos mercados.

    Desde logo, o do arrendamento, que pelo que se conhece precisa de bem mais do que a nova lei – das 20 mil actualizações de rendas previstas até ao final deste ano, apenas cinco mil estão em andamento e só pouco mais de setenta já se concluíram. Depois, há o mercado da recuperação e reconstrução, um caminho que noutras cidades já se traduziu no fim da degradação geral dos centros históricos e das debandadas como aquelas que, na última década, afectam Lisboa a uma média de quase cinco mil habitantes a menos por ano.

    O trabalho temporário está a crescer a um ritmo impressionante em Portugal. Sobretudo por via da subcontratação a que muitas empresas recorrem cada vez mais, como é descrito no trabalho que o DN publica hoje nas págs. 2 e 3.

    O que, em termos práticos, acaba por ser uma forma habilidosa de alguns contornarem uma lei que dificulta os despedimentos, evitando, assim, terem de assumir compromissos para o futuro. Sabendo-se que o trabalho temporário abrange essencialmente os trabalhadores mais jovens, à semelhança do que sucede com a maioria dos vínculos precários, começa a ser tempo de Governo, confederações patronais e centrais sindicais encontrarem a forma de adequar a lei às novas realidades do país.

    Mesmo sabendo que os actuais índices de crescimento económico tornam tudo mais difícil, o mínimo que se pode exigir é que Governo, patrões e sindicatos se entendam para que as relações entre empregadores e empregados sejam mais transparentes.

    fonte:http://dn.sapo.pt


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